Queda no Número de Casamentos

A China, um dos países mais populosos do mundo, enfrenta um desafio demográfico significativo com a queda no número de casamentos. No primeiro trimestre de 2026, o país registrou uma diminuição de 6,2% nas uniões matrimoniais em comparação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com dados divulgados pelo Ministério de Assuntos Civis, apenas 1,697 milhão de casamentos foram oficializados em todo o território chinês, marcando o menor índice em uma década.
Este declínio acentuado é ainda mais preocupante quando comparado aos números de 2017, que eram aproximadamente o dobro dos atuais. A tendência de queda nos casamentos é um reflexo de mudanças sociais e culturais profundas que estão ocorrendo na China, além de representar um desafio para as políticas governamentais que buscam reverter a crise de natalidade iminente.
Impacto na Crise Demográfica
O declínio no número de casamentos na China intensifica as preocupações com uma crise demográfica que se aproxima rapidamente. No país, o casamento é tradicionalmente visto como um pré-requisito para a maternidade e paternidade, uma prática cultural que é reforçada por políticas estatais. O registro de nascimento e o acesso a benefícios relacionados à criação de filhos estão frequentemente vinculados à posse de uma certidão de casamento.
Nos últimos anos, a China tem enfrentado uma redução contínua em sua população. Em 2025, o país registrou o quarto ano consecutivo de declínio populacional, com a taxa de natalidade atingindo um nível historicamente baixo. Demógrafos alertam que, se a tendência continuar, o país poderá enfrentar uma crise demográfica ainda mais severa no futuro.
Esforços Governamentais para Reverter a Tendência
Em resposta à crise de natalidade, o governo chinês tem implementado uma série de medidas para incentivar o aumento da taxa de natalidade. Entre as iniciativas estão o apoio ao cuidado infantil, a redução de custos médicos relacionados ao parto e a concessão de subsídios familiares. No entanto, esses esforços ainda não conseguiram reverter a tendência de queda nos nascimentos.
A política do filho único, que vigorou até 2015, é frequentemente citada como um dos fatores que contribuíram para a atual situação demográfica. Embora a política tenha sido revogada, seus efeitos ainda são sentidos, com mudanças no estilo de vida e uma assimetria significativa entre o número de homens e mulheres no país.

Desafios Culturais e Sociais
Além das políticas governamentais, a China enfrenta desafios culturais e sociais que afetam diretamente o número de casamentos e nascimentos. A preferência histórica por filhos homens levou a décadas de aborto seletivo, resultando em um desequilíbrio de gênero que impacta o ‘mercado de casamentos’.
Uma pesquisa da Universidade de Melbourne destaca que essa escassez de noivas tem levado a um aumento nos preços do dote, com a expectativa de que a família do noivo ofereça, no mínimo, um apartamento novo para o casal. Esse custo elevado é um dos fatores que desincentivam o casamento entre os jovens.
Mudanças no Perfil das Jovens Mulheres
As jovens mulheres na China, especialmente aquelas criadas sob a política do filho único, estão cada vez mais optando por priorizar a educação e a independência financeira em vez do casamento e da maternidade. Essa mudança de perspectiva tem contribuído para o aumento do número de mulheres solteiras na faixa etária de 25 a 29 anos.
Dados indicam que o percentual de mulheres solteiras nessa faixa etária saltou de 9% em 2000 para 43% em 2023, e essa tendência parece estar se acelerando. A busca por autonomia e realização profissional está redefinindo os papéis tradicionais de gênero e desafiando as normas culturais estabelecidas.
A China enfrenta um desafio demográfico significativo com a queda no número de casamentos, refletindo mudanças sociais e culturais profundas.
| Ano | Número de Casamentos (milhões) | Taxa de Natalidade |
|---|---|---|
| 2017 | 3,4 | Alta |
| 2025 | 1,8 | Baixa |
| 2026 | 1,697 | Baixa |
Fonte: veja.abril.com.br
