A importância do registro civil
O registro civil é um dos pilares fundamentais para o exercício da cidadania no Brasil. É por meio desse instrumento que o indivíduo passa a existir juridicamente, adquirindo a capacidade de exercer direitos básicos relacionados à identidade, à família e à participação na vida civil. Reconhecendo essa importância, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem intensificado suas ações normativas para fortalecer o registro civil como uma política pública de inclusão social.

Nos últimos anos, o CNJ tem se empenhado em atualizar as normas que regem os serviços de registro, com impactos diretos no casamento civil e na formalização das relações familiares. Tais mudanças visam não apenas à simplificação dos processos, mas também à ampliação do acesso a esses direitos fundamentais, especialmente para grupos em situação de vulnerabilidade.
Provimento 199/25: Um avanço para a inclusão
O provimento 199/25, editado pela Corregedoria Nacional de Justiça, representa um marco significativo nessa trajetória de inclusão. A norma amplia o público prioritário atendido pela Semana Nacional do Registro Civil – ‘Registre-se!’, cuja edição de 2026 já está sendo planejada pelas corregedorias estaduais. Este movimento reforça o compromisso do Judiciário com a erradicação do sub-registro e a universalização do acesso à documentação civil básica.
Com o novo provimento, grupos historicamente marginalizados, como pessoas em situação de rua, privadas de liberdade, indígenas, migrantes, refugiados e pessoas com deficiência, passam a receber atenção prioritária. Essa medida visa superar as barreiras que esses grupos enfrentam para acessar os serviços registrais, promovendo uma inclusão efetiva.
Iniciativas locais e a Semana ‘Registre-se!’
Diversas iniciativas locais já refletem esse novo direcionamento. Um exemplo é a atuação da Corregedoria-Geral da Justiça do Mato Grosso (TJ/MT), que tem promovido reuniões preparatórias e ações integradas para a execução da Semana ‘Registre-se!’. Essas ações envolvem cartórios, órgãos públicos e entidades de assistência social, alinhadas com as diretrizes do CNJ.
Embora o foco principal da política seja a emissão de certidões de nascimento, casamento e óbito, seus efeitos vão além do aspecto documental. Ao facilitar a regularização do estado civil e da identidade jurídica, o CNJ cria condições para que essas pessoas possam se habilitar ao casamento civil, regularizar vínculos familiares e acessar direitos decorrentes da vida conjugal.
O casamento civil como instrumento de dignidade
No contexto atual, o casamento civil transcende o mero ato formal, sendo compreendido como um instrumento de dignidade, proteção jurídica e inclusão social. Seus efeitos impactam diretamente direitos patrimoniais, sucessórios, previdenciários e existenciais, tornando-se essencial que o acesso a esse instituto não seja condicionado a obstáculos burocráticos desproporcionais.
As iniciativas do CNJ também destacam a importância da atuação integrada entre o Poder Judiciário, os serviços extrajudiciais e as políticas públicas sociais. A Semana Nacional do Registro Civil envolve tribunais, corregedorias, cartórios, defensorias públicas, ministérios públicos e órgãos do Executivo, evidenciando uma atuação coordenada em prol da cidadania.
Impactos para os juízes de paz e a sociedade
Para os juízes de paz, que atuam diretamente na celebração do casamento civil, essas iniciativas têm impactos concretos. É comum encontrar casais que desejam formalizar sua união, mas enfrentam dificuldades devido à ausência de certidões, registros tardios ou inconsistências documentais antigas.
O provimento 199/25 e a ampliação da Semana ‘Registre-se!’ ajudam a reduzir a distância entre o direito formal e a realidade social, permitindo que o casamento civil cumpra sua função jurídica e simbólica de proteção à família, em consonância com os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da igualdade material e da proteção à entidade familiar.
A documentação civil como direito fundamental
As recentes atualizações normativas do CNJ relacionadas ao registro civil revelam uma clara opção institucional: tratar a documentação civil e o estado civil como direitos fundamentais, e não como meras formalidades administrativas.
Ao fortalecer políticas de inclusão e ampliar o acesso aos serviços registrais, o CNJ contribui para que o casamento civil seja uma possibilidade real também para aqueles que, por muito tempo, permaneceram invisíveis ao sistema jurídico. Este é um avanço que merece atenção contínua da comunidade jurídica, tanto por seus efeitos normativos quanto por seu profundo impacto social.
O casamento civil, nesse contexto, deixa de ser apenas um ato formal e passa a ser compreendido como instrumento de dignidade, proteção jurídica e inclusão social.
Fonte: www.migalhas.com.br

